sexta-feira, 15 de maio de 2026

 Eugênia Grandet, de Honoré de Blazac




    Neste romance publicado em 1833, que compõe uma vasta obra pré-realista, o autor nos leva ao ambiente íntimo de famílias  pequeno-burguesas e aristocratas que vivem nas províncias, distantes da capital Paris. Em especial as famílias Grandet, Cruchot e Grassins. 

    O enredo se desenrola numa pequena cidade chamada Saumur, no final do século XVII. É uma região essencialmente agrícola, mas na qual já se denota a transformação da terra em capital, e o capital produtivo a gerar capital especulativo atraves da compra e venda de títulos da dívida pública e do empréstimo a bancos. O Senhor Grandet, um dos personagens principais, é caricaturalmente um exemplar de pequeno-burguês sovina, pois apesar da fortuna, passa seus dias, juntamente com a esposa e a filha, em condições precárias, de contingenciamento de alimentação,  roupas, e demais despesas da casa e das propriedades (fazendas). Em outras palavras, ele buscava economizar em tudo.

    O Sr. Grandet tem uma filha, como mencionamos acima, chamada Eugênia, sua herdeira, obviamente. As outras duas famílias que acima mencionei tem cada qual seu pretendente para desposar a donzela, que nos seus 23 anos de idade ainda não conhecia o amor, o toque de um homem. Eis que surge, numa noite qualquer uma visita inesperada: um primo seu; sobrinho do Sr. Grandet lhe aparece na porta, vindo de  Paris. 

    Carlos Grandet, filho de Guilherme Grandet, outrora rico comerciante da capital, surge em Saumur para pedir abrigo, pois, seu pai havia falecido, e para seu desespero, estava completamente falido, não lhe havia deixado nada senão dívidas exorbitantes. O que fazer então? O velho Sr. Grandet, seu tio, sovina e obcecado por dinheiro, jamais aceitaria sustentar quem quer que seja, muito menos um jovem bonito, mimado e extravagante de baixo de seu teto, sobretudo, com o risco deste se interessar por sua única filha e herdeira.

        Eugênia passava seus dias na janela a fazer peças de costura ou bordado e sonhando com o amor. Sua vida era literalmente um tédio. Mal podia sair de casa. Talvez, o lugar no qual ia com mais frequência era a igreja. Era uma mulher com alma de criança, que guardava a "pureza" com a qual, muitos dos personagens femininos de Balzac se revestem. A jovem, em datas especiais, recebia moedas de prata, bronze ou ouro, que naquela época tinham muita valia, e com o passar dos anos, sem ter no que gastar, já tinha uma "pequena fortuna" acumulada. 

        Carlos Grandet, descobre a partir de uma carta escrita pelo pai, pouco antes de se suicidar, as condições nas quais foi deixado. Órfão e sem nenhum recurso praticamente. Mas ele trazia um estojo de viagem valioso, feito com ouro e outros metais preciosos, que deixou aos cuidados da prima pela qual havia se afeiçoado devido a atenção que a mesma lhe prestara, juntamente com a mãe e a governanta da casa, Nanon. Havia em seu interior dois retratos, de seu pai e de sua mãe, no caso, os tios de Eugênia. Esta "emprestou-lhe" todo seu dinheiro (suas moedas valiosas) para que pudesse investir em mercadorias e comercializá-las nas Índias. A ideia era voltar em alguns anos, e rico, desposar a prima, que em seu coração prometeu esperá-lo. 

    A narrativa, principalmente no início, é lenta, o que devemos reconhecer como uma das características do realismo, pois o ambiente também condiciona o caráter dos homens, mas não se trata apenas disso, mas de minuciar o espaço e o ambiente no qual se moldam e circulam os burgueses e a aristocracia rural ou provinciana, como queiram proferir.  Então, sim, haverá momentos nos quais a descrição será tão importante quanto a narração dos fatos para compreendermos a emersão destes personagens, os quais o autor nos faz mergulhar também em seu universo psicológico, a sentir seus dramas, sobretudo, nossa "heroína", Eugênia Grandet. Resignada, religiosa, mas ansiosa por viver, experimentar o amor, e que, no entanto, lhe aparece e desaparece tão rapidamente da vista, mas jamais do coração; Carlos passa sete anos nas índias, comprando e vendendo mercadorias, mas foi no tráfico de escravos que conseguira fortuna que lhe permitisse retornar a sua terra natal. No entanto, o "ingênuo Carlos" agora era um " homem feito", transformado num capitalista da pior espécie, capaz de contrair matrimônio uma jovem com laços monárquicos, porém, muito feia, apenas para se valer de seu título e prestígio, e esquecendo o amor e a devoção que a prima havia lhe ofertado havia sete anos. 

    Não vou contar toda história para vocês, mas, digo-lhes que vale muito a pena ler este clássico. Balzac revela-nos os bastidores por traz das aparências nas quais vivem as famílias da pequena burguesia nascente na  França e nas quais podemos fazer um paralelo com a aristocracia brasileira. A obra em questão nos faz lembrar alguns clássicos da literatura nacional, a exemplo de Senhora, de José de Alencar, ou Quincas Borba de Machado de Assis, nas quais os personagens burgueses desfilam toda a hipocrisia e jogo de máscaras condicionados pela própria ordem e estrutura do modelo societário do capitalismo.

    O livro tem cerca de 190 páginas, o que para um romance é bem condensado. Façam suas leituras e tirem suas conclusões também, não irão se arrepender. Um abraço e até a próxima resenha. 

Por Carlos Henrique Ferreira Nunes

Arapiraca, 16 de maio de 2026.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

 BIOGRAFIA DE WILLIAM SHAKESPEARE


William Shakespeare (1564–1616) foi um dramaturgo, poeta e ator inglês, amplamente considerado o maior escritor da língua inglesa e o mais influente dramaturgo do mundo. Suas obras são atemporais, explorando as profundezas da natureza humana por meio de tragédias, comédias e dramas históricos.

Primeiros Anos e Família
  • Nascimento: Acredita-se que nasceu em 23 de abril de 1564, em Stratford-upon-Avon, Inglaterra.
  • Origem: Filho de John Shakespeare, um comerciante de luvas e político local, e Mary Arden.
  • Educação: Frequentou a King's New School em Stratford, onde aprendeu latim e literatura clássica, embora não tenha cursado universidade.
  • Casamento: Aos 18 anos, casou-se com Anne Hathaway, com quem teve três filhos: Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith.
Carreira em Londres
Entre 1585 e 1592, há poucos registros sobre sua vida (período conhecido como "anos perdidos"), mas em 1592 ele já era um ator e dramaturgo estabelecido em Londres.
  • Companhias de Teatro: Foi sócio da companhia Lord Chamberlain's Men (mais tarde King's Men, sob o patrocínio do Rei James I).
  • O Globe Theatre: Shakespeare foi coproprietário do famoso Globe Theatre, onde a maioria de suas grandes peças foi encenada.
  • Sucesso Financeiro: Ao contrário de muitos artistas de sua época, ele alcançou prosperidade financeira, investindo em propriedades em sua cidade natal.
Fases e Obras Principais:
  1. Fase Inicial (até 1594): Comédias e dramas históricos, como A Megera Domada e Ricardo III.
  2. Fase de Maturidade (1595–1601): Grandes comédias e tragédias românticas, incluindo Sonho de uma Noite de Verão e Romeu e Julieta.
  3. Fase Sombria (1601–1608): Foco em tragédias profundas que exploram a traição e a moralidade, como HamletOteloRei Lear e Macbeth.
  4. Fase Final (após 1610): Peças de reconciliação e romance, como A Tempestade.Além das peças, ele escreveu 154 sonetos e poemas narrativos como Vênus e Adônis.
Morte e Legado
Shakespeare faleceu em 23 de abril de 1616, em Stratford-upon-Avon. Sete anos após sua morte, seus colegas publicaram o First Folio (1623), a primeira coleção oficial de suas peças, garantindo que sua obra sobrevivesse para as gerações futuras. Ele é creditado por introduzir cerca de 2.000 novas palavras na língua inglesa.
Você gostaria de explorar mais sobre uma obra específica ou as curiosidades da vida dele?

sábado, 14 de março de 2026

Lampião e Maria Bonita. 50x50. Acrilic on canvas. By Henrique NUNES. 2026.

Lampião e Maria Bonita

Era eu e tu

Feito raio no meio da caatinga

Entre bichos rasteiros e homens sem destino
Em busca de paz
Fazíamos guerra.
E enleio a luta incessante
A gente, vez em quando, 
Fazia uma fogueira
Abria o rio de aguardente
e dançava como se fosse 
a última vez...
E ouvia o som da zabumba
E a sanfona tão doce
Era a voz de Maria:
Minha dama da morte
Minha eterna noite.

poema de Henrique Nunes
 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

FRANKESTEIN: O DIREITO DE SER RECONHECIDO


Por Carlos Henrique Ferreira Nunes[1]

Olá, meus amigos e minhas amigas. Lá vai resenha. Hoje, vamos conversar um pouco sobre uma obra clássica – Frankestein – da autora Mary Shelley, que teve pai e marido escritores (aliás, este último a incentivou a publicar a sua obra-prima).

O livro que li, intitulado Frankenstein - foi publicado pela editora Martin Claret. O mesmo tem 208 páginas, com introdução da própria autora, e questões para resolução e interpretação no pós-texto. O texto é integral (completo), e conta com tradução de Pietro Nasseti. Enfim, vamos à história.

O livro é entendido como “romance de terror”, por conta da sua temática e pelo contexto do romantismo (século XIX). Tem dois narradores principais que se revezam: o protagonista – Dr. Victor Frankestein – e o próprio ser, o monstro criado por ele.  Fruto de estudos das ciências naturais e da anatomia, mas, principalmente do “desejo do mundo” de buscar a “vida eterna”, quando não é concedida por seu criador (Deus). A criação de Victor, feita em laboratório, o assusta e ele foge. No entanto, o monstro o perseguirá e exigir-lhe-á reconhecimento, como um filho perdido, que busca o encontro com o pai. Victor o rejeita, e este irá se vingar. A fera criada pelo cientista agora o persegue, e em seu caminho, acaba liquidando com a vida de vários entes queridos e amigos de Victor. Ainda assim, a fera procura e promete cessar as mortes se Victor der vida um cadáver tal com o fez em relação a ele, ou seja, se ofertar uma esposa igualmente monstruosa com a qual possa viver escondido nos confins remotos do mundo.

O não reconhecimento por parte de Victor desperta uma fúria em Frankestein, que passa a segui-lo e o faz sofrer, destruído aqueles que mais ama. A História se passa entre regiões frias da Europa, em especial, a suíça, terra natal de Victor, e a Inglaterra, para onde viaja a princípio, atrás de saberes sobre as ciências e no intento inicial de satisfazer o desejo de Frankestein de ter uma esposa. Mas Victor, após iniciar a obra a destrói na frente da criatura por ele concebida. Daí por diante sua vida será de angústia e sofrimento. Victor irá gastar o resto de seus bens e de sua força vital para caçar e matar “seu sonho realizado e transmutado em pesadelo sombrio. Vamos a leitura?  O livro traz muitas reflexões sobre a condição humana, os cenários e costumes europeus daquela época, bem como reflexões filosóficas sobre as quais deve-se pensar o papel da ciência, da tecnologia e do próprio ser humano ao estudar a origem da vida e sua manutenção.

Recomendo para todos que gostam deste gênero (terror/suspense), de adolescentes a adultos. A narrativa às vezes fica meio lenta por conta do excesso de descrição, porém, compensa com um vocabulário rico, e por vezes até poético de algumas passagens.

Vale muita a pena esta leitura. Abraços a todos!



[1] Prof. da escola Municipal João Batista Pereira da Silva. Graduado em letras (Português/ Inglês; Especialista em Língua Portuguesa e mestre em Educação.


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Poesia Pets de Henrique Nunes por Clarisse Serafim


 

 Escola: José Pereira Sobrinho

Aluna: Maria Clara Ferreira Brito

Professor: Henrique Nunes   Disciplina: Língua portuguesa

Série: 7° ano   Turma: "A"      Data: 03/08/2023



  Resenha do livro "Quando meu pai perdeu o emprego"


   O livro Quando meu pai perdeu o emprego tem como editora a Richmond Educação. No livro o autor Wagner Costa, chama atenção para os problemas que a crise financeira pode trazer para uma família. O autor destaca, principalmente, como Pepê e sua família conseguiram se ajustar a um novo estilo de vida e como encontraram soluções para os problemas.

   Na obra o autor relata sua própria experiência, quando ficou desempregado, de uma maneira simples e envolvente.

   Por fim, o autor acaba concluindo que de tudo na vida podemos tirar boas lições e amadurecer.

   O livro possui 96 páginas e mostra que com o apoio da família podemos lidar com diversos problemas, e o autor usa a crise financeira como exemplo, o que torna a obra atual, pois a falta de emprego pode acontecer em qualquer momento na vida de uma família.