segunda-feira, 13 de outubro de 2025

FRANKESTEIN: O DIREITO DE SER RECONHECIDO


Por Carlos Henrique Ferreira Nunes[1]

Olá, meus amigos e minhas amigas. Lá vai resenha. Hoje, vamos conversar um pouco sobre uma obra clássica – Frankestein – da autora Mary Shelley, que teve pai e marido escritores (aliás, este último a incentivou a publicar a sua obra-prima).

O livro que li, intitulado Frankenstein - foi publicado pela editora Martin Claret. O mesmo tem 208 páginas, com introdução da própria autora, e questões para resolução e interpretação no pós-texto. O texto é integral (completo), e conta com tradução de Pietro Nasseti. Enfim, vamos à história.

O livro é entendido como “romance de terror”, por conta da sua temática e pelo contexto do romantismo (século XIX). Tem dois narradores principais que se revezam: o protagonista – Dr. Victor Frankestein – e o próprio ser, o monstro criado por ele.  Fruto de estudos das ciências naturais e da anatomia, mas, principalmente do “desejo do mundo” de buscar a “vida eterna”, quando não é concedida por seu criador (Deus). A criação de Victor, feita em laboratório, o assusta e ele foge. No entanto, o monstro o perseguirá e exigir-lhe-á reconhecimento, como um filho perdido, que busca o encontro com o pai. Victor o rejeita, e este irá se vingar. A fera criada pelo cientista agora o persegue, e em seu caminho, acaba liquidando com a vida de vários entes queridos e amigos de Victor. Ainda assim, a fera procura e promete cessar as mortes se Victor der vida um cadáver tal com o fez em relação a ele, ou seja, se ofertar uma esposa igualmente monstruosa com a qual possa viver escondido nos confins remotos do mundo.

O não reconhecimento por parte de Victor desperta uma fúria em Frankestein, que passa a segui-lo e o faz sofrer, destruído aqueles que mais ama. A História se passa entre regiões frias da Europa, em especial, a suíça, terra natal de Victor, e a Inglaterra, para onde viaja a princípio, atrás de saberes sobre as ciências e no intento inicial de satisfazer o desejo de Frankestein de ter uma esposa. Mas Victor, após iniciar a obra a destrói na frente da criatura por ele concebida. Daí por diante sua vida será de angústia e sofrimento. Victor irá gastar o resto de seus bens e de sua força vital para caçar e matar “seu sonho realizado e transmutado em pesadelo sombrio. Vamos a leitura?  O livro traz muitas reflexões sobre a condição humana, os cenários e costumes europeus daquela época, bem como reflexões filosóficas sobre as quais deve-se pensar o papel da ciência, da tecnologia e do próprio ser humano ao estudar a origem da vida e sua manutenção.

Recomendo para todos que gostam deste gênero (terror/suspense), de adolescentes a adultos. A narrativa às vezes fica meio lenta por conta do excesso de descrição, porém, compensa com um vocabulário rico, e por vezes até poético de algumas passagens.

Vale muita a pena esta leitura. Abraços a todos!



[1] Prof. da escola Municipal João Batista Pereira da Silva. Graduado em letras (Português/ Inglês; Especialista em Língua Portuguesa e mestre em Educação.


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Poesia Pets de Henrique Nunes por Clarisse Serafim


 

 Escola: José Pereira Sobrinho

Aluna: Maria Clara Ferreira Brito

Professor: Henrique Nunes   Disciplina: Língua portuguesa

Série: 7° ano   Turma: "A"      Data: 03/08/2023



  Resenha do livro "Quando meu pai perdeu o emprego"


   O livro Quando meu pai perdeu o emprego tem como editora a Richmond Educação. No livro o autor Wagner Costa, chama atenção para os problemas que a crise financeira pode trazer para uma família. O autor destaca, principalmente, como Pepê e sua família conseguiram se ajustar a um novo estilo de vida e como encontraram soluções para os problemas.

   Na obra o autor relata sua própria experiência, quando ficou desempregado, de uma maneira simples e envolvente.

   Por fim, o autor acaba concluindo que de tudo na vida podemos tirar boas lições e amadurecer.

   O livro possui 96 páginas e mostra que com o apoio da família podemos lidar com diversos problemas, e o autor usa a crise financeira como exemplo, o que torna a obra atual, pois a falta de emprego pode acontecer em qualquer momento na vida de uma família.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

 Aluna: Eduarda Kelly do 7º ano A  

Prof. Carlos Henrique Ferreira Nunes

Turma: 7 ANO "A”.

 

MARIA: UMA HEROÍNA NO AGRESTE ALAGOANO  

 

Nossa heroína, Maria do Carmo, nasceu e foi criada em Alagoas; é filha de pais agricultores. Começou a trabalhar no campo para ajudar seus pais aos cinco anos de idade.

Com seus quinze anos começou a namorar. Naquela época as pessoas namoravam a distância, através de correspondência, e mal podiam se tocar e casava-se cedo. Ela casou-se aos 19 anos, e por este tempo não tinha moradia fixa nem energia elétrica; cozinhava-se em fornos a lenha com panelas feitas de barros. O acesso a água só era possível através de barragens ou barreiros, como alguns chamam. Estes tinham uma água turva, que muitas vezes servia aos animais quando estava em pastagem. A vida era uma dureza mesmo.

Maria do Carmo teve cincos filhos com seu esposo. Ele já falecido há muitos anos, e deste modo, Maria viu-se obrigada a criar seus filhos sozinha, com o trabalho braçal ou qualquer trabalho que tivesse disponível. Não se podia escolher muito, sobretudo, quando não se tem estudo.

              Naquele tempo não existia bolsa-família nem pensão para ajudar com a alimentação das crianças. Com o tempo, seus filhos cresceram e passaram a ajudá-la na roça e com as tarefas domésticas, mas, ainda assim as coisas eram difíceis, pois sua família não tinha onde morar, ficava migrando de uma cidade para outra, fazendo a velha rota de muitos sertanejos e nordestinos nos períodos de estiagem e seca (Ir para estados do sul e sudeste).

Os meninos não tinham nem como estudar, porque não havia dinheiro nem para o material escolar e nem para o fardamento (o governo não fornecia). Mas depois, com o passar dos anos, as coisas começaram a melhorar. Finalmente Maria realizou o sonho de ter sua casa própria;  seus filhos se casaram e constituíram suas famílias. E hoje, Maria tem muitos netos, bisnetos, e todos são muitos felizes vivendo na cidade de Arapiraca.

Esta bela cidade, denominada por alguns de princesa do agreste alagoano, que gentilmente acolheu Maria e sua família que, cansada de peregrinar, pôde finalmente encontrar sossego. Ela percebeu que valeu a pena tanta luta. Considera-se uma vitoriosa, e eu, particularmente a considero uma heroína por ter enfrentado o mundo sozinha.

 

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

 



                  CIRCULA MEU CORDEL
(UM MANIFESTO)
 
Circula meu cordel.
Vai na carreira,
Nas asas da fênix.
Ave guerreira
De versos imortais,
De feira em feira.
 
Circula meu cordel
Na boca do povo
Inspira a lavadeira,
O nobre lavrador
Que de tanta asneira
Finalmente se cansou.
 
Circula meu cordel
Como som de tambor,
Balança minha gente,
Foge deste terror
Que chamam “mito”;
Apelido – matador!
 
Circula meu cordel
Como ondas de rádio,
Corre as estações
Chega ao estádio,
A todas as multidões.
Chega como raio!
 
Circula meu cordel
Vai como correnteza
No galope alado
Com toda ligeireza
Com a força do verbo
E toda sua beleza.
 
Circula meu cordel
Entre guetos e vielas
Incita a mudança:
grita, chora, se esgoela;
incita a revolução,
Liberta-te da cela.
 
Circula meu cordel
Na indústria e na roça,
Na feira e galpão
Acerta esta choça
Que te põe correntes
Como burro de carroça.
 
Circula meu cordel
Vai girando por aí
Roda o mundo todo
Vamos todos dividir
Uma pedaço de pão
Um poema pra sorrir
 
Circula meu cordel
Igual uma epidemia
Mas que não traz morte,
Somente paz, alegria,
Palavras de alento
Gritos de rebeldia.
 
Circula meu cordel
Vai na contramão
Deste podre sistema
Que trouxe escravidão
Com martelo e foice
Faça a revolução.
 
(Poeta Carlos Henrique Nunes)
 
 
 
 
 

 

sábado, 10 de julho de 2021

 

OS SENTIDOS DE UM TBT




            Quem frequenta as redes sociais, a exemplo do facebook, Instagram, entre outros, já deve ter se deparado com alguma postagem de fotografia na qual aparece na legenda ou mesmo sobre a própria foto estas letrinhas: TBT. Eu mesmo sempre observava, mas nunca tive a curiosidade de desvelar o real significado, mas supunha, levantava hipóteses de que se tratava de uma recordação, de um tempo já passado, mas que fora importante ou prazeroso para a pessoa que ali estava expondo para seus seguidores e amigos um pouco daquilo que vivenciara e experimentara.

            Nestes tempos de pandemia, de isolamento social, este tipo de postagem se tornou ainda mais corriqueira. E aí eu me pergunto: será que viveremos a partir de agora de lembranças de um tempo que não volta mais? Que bom que existem as fotografias, não é? Evidente que nada é mais importante com as lembranças vivas das experiências que vivemos, mas se há fotos para ilustrar melhor, ajuda-nos a reavivar tais lampejos em nosso coração. Por estes dias mesmo o aplicativo Google fotos instalado no meu celular me notificou, lembrou de uma viagem que fiz juntamente com minha esposa, filho e o pessoal lá da escola que trabalho. Viajamos para um parque ecológico na cidade de Boca da Mata, no interior de Alagoas. Que lugar esplêndido! Um restaurante com uma comida regional deliciosa, passeio de trator, a cavalo, piscinas, bica d’água, riacho, trilha para fazer caminhada, museu com artefatos de madeira esculpidos por artistas locais. E a companhia especiais de tantos amigos e familiares. Um daqueles dias que nos marcam, que nos fazem refletir como Deus é bom e nos deu tudo, e nós, no entanto, muitas vezes não sabemos valorizar e apreciar tais belezas e prazeres.

            Olhando àquelas fotos eu pude observar o quanto eu estava feliz naquela momento. Jamais eu poderia imaginar que alguns meses depois iríamos iniciar uma quarentena que  se arrastou e virou semestre, que virou o ano e nossa cabeças e vidas do avesso, e nos deixou mais apreensivos, temerosos, e até mesmo doentes. É... muito gente pegou o vírus, alguns tiveram sintomas leves, outros sobreviveram, mas ficaram com sequelas, e outros, infelizmente nos deixaram mais cedo. Ainda bem que temos as tais fotografias – os TBT, pois estas também serão o registro eterno de momentos ao lado daqueles e daquelas com os quais já não poderemos passear, viajar, caminhar etc. E mais importante que as fotografias, guardaremos as imagens de seus sorrisos e a voz de sua esperança de que nessa viagem fugaz somos todos passageiros de uma mesma naveterra, em busca de uma passagem para nossa casa definitiva e etérea. E acho que lá não tem TBT, será?

Por Carlos Henrique Ferreira Nunes. 09 de julho de 2021.

 

 

segunda-feira, 21 de junho de 2021

 RESENHA DO LIVRO “A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS”, DE JÚLIO VERNE

            Esta aventura inicia-se na cidade de Londres, mais precisamente no dia 02 de outubro, quando de uma conversa informal entre amigos associados ao tradicional Reform Club, surge o desafio de “dar a volta ao mundo em 80 dias” lançado a um dos seus membros ilustres, Mr. Phileas Fogg, que aceita a empreitada, pois considera inteiramente possível tal feito. Mas vale ressaltar que a narrativa se passa no século XIX, e que naquela época os meios de transporte mais modernos a disposição eram embarcações e trens, aqui chamados de paquetes e railroad.

          Em sua odisseia passaria pelo oriente, pela índia, e atravessaria o mar em direção a América do Norte, passando pelos estados americanos de São Francisco e chegando a Nova York, de onde pegaria uma nova embarcação em direção à Londres, capital da Inglaterra, onde deveria chegar até o dia 21 de dezembro, no mais tardar às 20h40. Assim fora acordado entre os apostadores. Mr. Phileas Fogg é acompanhado por seu fiel criado Passepartout, um francês esperto e corajoso, que admira seu patrão e participar ativamente das várias confusões e complicações as quais roubaram horas preciosas do itinerário do nobre e meticuloso Phileas. Passepartout conhece um agente de polícia, que sem que ele saiba estar a caça de seu patrão, que é acusado de roubar algumas milhares de libras do banco da Inglaterra, pois o perfil descrito do possível gatuno se assemelha muito com o de Phileas Fogg. O agente Fix o segue durante quase toda a viagem, e fica na expectativa da chegada de um mandado de prisão vindo de Londres por telégrafo. Enfim, são muitos os percalços que surgem para atrapalhar Phileas e Passepartout a cumprirem sua missão, e muitas surpresas aparecem para animar a narrativa e manter o foco do caro(a) leitor(a). Nos impressiona o fato de Phileas Fogg sempre manter a calma em todas as situações, nas quais busca soluções diplomáticas e racionais para superar os apuros e contratempos de tal viagem. No fim das contas os custos da viagem quase se igualam ao valor que Phileas receberia dos amigos do Reform Club, mas, ela ganhara algo que não esperava e que vale mais que ouro, aí só lendo para saber o que é, né? Não vou dar spoiler. Vale apena ler este romance que nos diverte e distrai, ainda mais nestes tempos de pandemia

            Narrado em 3ª pessoa por um narrador onisciente, este romance não se detém em fazer análise psicológica dos seus personagens, os conhecemos mais por seus gestos e ações descritas, o que aliás, deixa a narrativa fluida, leve, bem ao estilo das narrativas modernas. Gostou da resenha, deixe seu “like” ou comentário. Abraços Literários e até a próxima.

 

Por Carlos Henrique Ferreira Nunes (22/06/2021)

REFERÊNCIA: VERNE, Júlio. A volta ao mundo em 80 dias. Trad. Juliana Gomes Gonçalves: Jundiai – SP; Princípios, 2019.

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 

Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne

 

Viajar ao centro da terra é uma experiência fantástica. A obra de Júlio Verne nos torna viajantes, aventureiros, expedicionários de uma Europa distante, pouco conhecida. Do leste europeu aos confins subterrâneos, e enfim, ao núcleo da terra. Três argonautas do subsolo, dos quais um deles nos oferece seu olhar curioso de geólogo e sua voz para narrar uma viagem na qual se pode aprender bastante, mas também, se corre muitos riscos, inclusive, de não retornar à superfície terrestre. A obra Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne se divide em 45 capítulos, que totalizam 303 páginas, que nos envolvem a cada uma que atravessamos. Nos primeiros capítulos, conhecemos os seus personagens principais, e um pouco de seus hábitos e rotina: Axel, protagonista e narrador; Professor Lidenbrock, seu tio e maior entusiasta da expedição; e Hans, uma espécie de assistente e guia local. Seu ponto de partida é a cidade de Hamburgo na Alemanha. Mas a aventura pelo subsolo se dar a partir de sua chegada ao monte Sneffels, na Islândia. Eles têm, entre outras coisas, como instrumentos uma bússola, e um diário. O tio de Axel era professor de mineralogia em uma universidade alemã, e ele queria seguir os seus passos, e, portanto, era apaixonado por tudo que se relacionava ao conhecimento do solo e dos minerais por ele velados como tesouros. A cada camada em que descem mais profundamente em direção ao núcleo da terra, mais tensa e perigosa se apresenta a travessia. Em um determinado momento eles se perdem na total escuridão a quilômetros de distância da superfície. Noutro, a água potável acaba e os aventureiros ficam a um triz de morrerem de sede. Para aqueles que são amantes da geografia, sobretudo da geologia, amarão este livro, para quem é de outras áreas como eu, também apreciará a mistura de ciência e ficção que embala esta obra escrita no século XIX, mas que mantém sua jovialidade e se consagrara como um cânone (clássico) na literatura francesa e universal, chegando ao séc. XXI sendo uma das obras mais lidas e traduzidas do mundo. Não vou dar spoiler, vão lá conferir. Abraços, e até a próxima resenha.

 

Resenha escrita por Carlos Henrique Ferreira Nunes.

 

REFERÊNCIA:

 

VERNE, Júlio. Viagem ao Centro da Terra. Trad. Juliana Ramos Gonçalves. Jandira – SP: Principis, 2019.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

 RESUMO, RESENHA E RESENHA CRÍTICA 

RESUMO - Entende-se por resumo um texto que sintetiza, ou seja, traduz em poucas palavras, ou poucas linhas do que se trata determinado livro. O resumo nos permite visitar o conteúdo de um livro que lemos, e ter uma ideia geral sobre ele, no entanto, sem precisar ter que lê-lo todo novamente. Para  escrever o resumo, não deixe de mencionar o nome do autor(es) e do livro do qual o resumo trata; lembre-se de fazer anotações e não esquecer as informações mais importantes; pode-se fazer uma lista dessas informações, e depois usá-las para escrever o texto.                                                                        

RESENHA. Na resenha deve-se descrever uma determinada obra/livro. Como assim? O leitor de resenhas quer saber não somente do que se trata um livro, mas quer ter mais informações técnicas sobre o mesmo. Na resenha, semelhante ao resumo, não se deve dar opinião, mas simplesmente descrever os aspectos físicos e o conteúdo de modo objetivo/descrito, sem elogiar ou criticar estes aspectos. O julgamento deve ficar por conta do leitor. Uma boa resenha deve despertar o interesse do leitor em ler o livro, no entanto, sem influenciar em sua apreciação.   Deve-se indicar a faixa-etária (idade) e os tipos de público que poderiam se interessar por seu conteúdo, bem como autor, obra, editora, ano de publicação, número de páginas, entre outras informações que julgar importantes.           

RESENHA CRÍTICA. Este gênero difere do anterior (Resenha) pelo fato através dele se emitir um juízo de valor, ou seja, por dar opinião a respeito de uma obra. Mas não se trata de uma opinião vazia do tipo "gostei ou não gostei", "é legal", "é interessante". Deve-se apontar o que o agradou ou desagradou, bem como explicar o porquê, ou seja, justificar, fundamentar. Por exemplo, "não gostei da obra Grande sertão:veredas porque seu autor usa muitos neologismos (palavras inventadas), o que torna a narrativa  mais lenta, pois tens que tentar deduzir o que significam. A mesma característica acima criticada por um resenhista poderia ser elogiada por outro, que diria "o livro é excelente, e o autor muito criativo, chegando a inventar palavras que nos levam a refletir, embora tenhamos que parar para pensar em seus prováveis significados".  Seja para fazer uma crítica positiva ou negativa, o autor (resenhista) deve ter conhecimento técnico sobre o aspecto que o agradou ou desagradou. Em se tratando de uma obra  literária estas podem ser: a linguagem, o enredo (história), os personagens, a qualidade da tradução (quando o livro é estrangeiro), a qualidade do material (o acabamento, o designe) do livro físico, as imagens ou ilustrações. Em suma, a Resenha Crítica exige mais do que um resumo (descrição) ou resenha(descrição e informações técnicas), e pode sim, influenciar ao leitor que deseja ler uma determinada obra e busca informação antes de iniciar esta leitura, pois faz uma análise e cotejamento.      

domingo, 13 de dezembro de 2020


MELO, Fábio de. É Sagrado viver. São Paulo: Planeta, 2012. p.176
 
        Em É sagrado viver, Pe. Fábio de Melo nos apresenta narrativas na forma de crônicas, que muitas vezes flertam com a poesia, não fosse a disposição das orações no papel no formato de prosa, poderíamos sim ter alguns poemas que saltariam de suas páginas.
        As crônicas não seguem uma ordem cronológica ou uma temática em particular, tratam de assuntos dos mais diversos, mas, na maioria deles se revela seu profundo sentimento de compaixão para com os infortúnios das pessoas mais humildes, ao tempo que desvela em seus gestos a presença do sagrado. A linguagem da arte, os gestos de amor e o silêncio podem, cada qual ao seu modo, ser um momento de epifania de Deus em nossas vidas. Fábio de Melo faz descrições de pessoas anônimas em situações corriqueiras, e consegue capturar em suas ações e gestos um Jesus transfigurado, um Jesus que nos pede um olhar mais demorado sobre as coisas que realmente são importantes, e sobre as pessoas que devemos cuidar. E este olhar, ao paralisar ou fotografar aquela situação, aquele gesto também denuncia o quão muitas vezes estamos distantes da realidade, pois estamos imersos no mundo do trabalho, da velocidade e da mecanização da vida, que nos faz agir como se estivéssemos vivendo guiados por controle remoto.  
      A leitura deste livro também nos faz conhecer um pouco mais sobre a vida e algumas posições pessoais de Fábio de Melo. Evidente, que mesmo sendo ele escritor, não deixa de ser padre, professor e artista, e todos estes aspectos da formação do autor se encontram presentes nessa obra. A racionalidade diante da força avassaladora do tempo, que para nós pode parecer o começo do fim e para outros apenas uma mudança natural de fase ou estágio que se manifesta aí sob o prisma da finitude e infinitude. Não se trata de um livro de autoajuda como alguns possam imaginar, ao contrário, temos reflexões filosóficas e questionamentos sob os quais o próprio autor faz indagações sem nos apresentar respostas prontas ou fórmulas, ao contrário. Mas tudo isso usando uma linguagem coloquial, quase como um tom de conversa.
        Mesmo a teologia católica ou cristã estando como pano de fundo de suas reflexões, de suas narrativas, que ora contam histórias de personagens reais, ora versam sobre temas como a música ou a poesia, este fato não tira a relevância nem a beleza de seu texto que nos põe diante do espelho, diante de realidades que muitas vezes vivemos, mas experimentamos, não tiramos dali numa experiência significativa, exatamente porque estamos sempre com pressa, e aí a vida passa e não enxergamos o sagrado que estava  ali  tão perto, ao nosso lado.
Neste tempo de pandemia e de tanto pessimismo, a leitura desse livro pode nos alentar e nos ajudar a tirar algumas traves dos olhos, valorizando e se demorando sobre as pessoas e as coisas que são mais importantes para nós e que nos ajudam a atravessar juntos a tempestade de hoje e as que virão. Recomendo para todos os públicos, sobretudo, para pessoas adultas, sejam elas religiosas ou não. Vale apena. Um grande abraço! Leiam e deixe aqui seus comentários e impressões. 

         Resenha Crítica de Carlos Henrique Ferreira Nunes

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

PAULO FREIRE, ETERNO MESTRE!

 

PAULO FREIRE, ETERNO MESTRE!

 

Paulo, meu amigo e camarada;

Sua luta é nossa luta

Estamos na mesma empreitada:

Educação não é tudo,

mas sem ela não somos nada.

 

Não se educa o cidadão

Senão lhe aponta quais os desafios

Que se insurgem

No meio da caminhada.

 

Do Campo à cidade

Sua pedagogia é uma lição

De que o povo para ser livre

Não deve esperar pelas chaves do patrão,

só ele mesmo pode ser protagonista de sua emancipação.

 

Ir além do soletrar

Ir além do suor salgado

Ter direito a sonhar

Coisa que não faz o gado.

 

Na ponta da língua

Palavras de amor e sabedoria,


Daquele que em tempos de autoritarismo resistia

Como guerreiro de fé, como bom pernambucano,

Alfabetizando e ensinando pelo Brasil,

Que o fez com justiça

Patrono dessa pátria mãe

Que nem sempre foi gentil.

 

Freire sempre citado

Em todo o mundo tem raízes,

Pois onde houver oprimidos,

Dentre eles

Terás o seu nome conclamado,

e na lição aprendida,

Eis a mais importante:

Gente é ser humano;

Tem esperanças e sonhos;

Não merece ser tratada como gado.

E assim seguimos

Sua pedagogia progressista;

Resistindo as ondas fascistas

Que nos querem todos destroçados!

Um abraço camarada a este homem

 Que mesmo não estando mais aqui

Estará sempre ao nosso lado!

 

(Henrique Nunes. 19.09.20)

CARONA DE CANDIDATO


 








Meu compadre Severino
Me apresentou certo dia,
Com a maior alegria
Ao dotô Zeferino.
E este, muito grã-fino,
Tratou-me dentro das norma;
Apertou a minha mão
e disse: - Satisfação!
Eu disse: - Da mesma forma!

Depois me deu seu cartão,
O retrato, o endereço.
Eu disse: - Assim não mereço!
Disse ele: - Faço questão!
Ainda me perguntou
Onde era a minha casa.
Eu lhe respondi: - No sítio,
Muito pra lá da Ceasa.
Ele acendeu um cigarro
E disse: - Entre no meu carro,
Comigo ninguém se atrasa!

Quando ele disse aquilo,
Meu coração deu um sarto,
Eu já ando disconfiado
Com essa onda de assarto.
Mas depois pensei comigo
Que aquele cidadão
Não podia ser um ladrão,
Afiná era um doutô.
Quando eu vi o carro novo
E o toca-fitas tocano,
Eu logo fiquei pensando:
- Isso é um conquistador!

Pensei nas minhas menina,
Pensei também na muié.
Mas depois pensei comigo:
- Seja lá o que Deus quisé!
Entrei no carro do home
E o home empurrou o pé.
- Ô carro novo danado,
Ô homem conversador!
Eu chega tava acanhado
Pra conversar com o dotô.

Foi me deixá lá em casa,
Subindo ladeira e grota.
Ao meu guri mais novo
Ainda deu uma nota.
Cumprimentou com respeito
Minhas fia e a mulhé,
E aceitou com muito gosto
Cuscuz de mi com café.

Depois que o homi saiu
Fiquei de braço incruzado
Pensando comigo mermo:
- Ô cidadão educado!
Daquele dia pra cá,
Onde o home me encontrava,
Ainda que fosse correno,
Quando me via, parava.
Abria a porta do carro,
Mandava entrar e eu entrava.

E se tivesse bebendo
Com uma trurma de amigo,
Deixava os amigos lá
E vinha falar comigo.

Um dia, eu cheguei num bar,
Perto da banca de jogo,
E lá estava o dotô,
Bebendo, “puxando fogo”.
Quando ele me avistou
Veio logo pro meu lado,
Dizendo: - Vamos beber
Comigo no “reservado”?
Aí eu pensei comigo,
Já meio desconfiado:
- Ou esse dotô é santo
Ou pensa que eu sou viado.

Mas aí olhei o home
Desde riba inté embaixo,
E eu vi que ele tinha jeito
De um cabra muito macho.
- Eu também não levo jeito
Pra certas coisas, patrão!
E finalmente eu aceitei
Entrá com o cidadão.

Ele sentou-se numa mesa,
Do seu lado eu me sentei.
Olhou bem na minha cara,
Na sua cara eu olhei.
Ele olhou pro garçom
E depois falou assim:
- Garçom, traga por favor
Uma dose dupla de Gim.
Aí eu disse: - Seu moço,
Traz uma cana pra mim!

Nisso o garçom saiu,
Isperto que só raposa.
Foi quando o home me disse:
- Vou lhe pedir uma coisa!
Eu disse: - Pode pedir,
Não precisa se acanhar.
Não sendo o que tô pensando,
Poderei até lhe dar.

Então o homem sorriu
E foi me dizendo: - Eu noto
Você meio disconfiado,
Se pro seu lado eu me boto
Eu só quero de você
E da família é o voto!
É que eu sou candidato,
Quero ser vereador.
Pra ajudar essa pobreza,
Esse povo sofredor.

Foi quando eu disse: Dotô,
Eu voto em Massaranduba,
Minha mãe em Cabrobró,
Minha mulhé em Natuba.

Minhas fias em Cochichola
E papai lá em Pipirituba.
Então, por esse motivo,
Não vou votar no senhor.
Quando olhei para o home,
Tava mudando de cor.

Não disse uma nem duas.
Não falou e não sorriu.
Olhou de longe o garçom,
Chamou com um “psiu!”
Puxou do bolso a carteira,
Pagou a conta e saiu.
Daquele dia pra cá,
Eu confesso a vocês, meu povo:
Nunca mais tive o direito
De andar de carro novo.

 

(GERAÇÕES. Coletânea de Poesias. Ademar Bogo (Org). Editora Expressão Popular: São Paulo, 2002.)

 


sexta-feira, 4 de outubro de 2019



A TERRA DOS MENINOS PELADOS. Graciliano Ramos. 1ºed. Cameron, Rio de Janeiro: 2018.

Este livro – A terra dos meninos pelados – do consagrado escritor brasileiro e alagoano Graciliano Ramos foge um pouco dos modelos narrativos de obras como Vidas secas, São Bernardo ou Histórias de Alexandre. Pois essa obra dar-se a entender voltada para as crianças. No entanto, quem disse que os adultos não precisam aprender sobre o lidar com “o diferente”?
         A história é desenrolada ao longo de 23 capítulos curtos, provavelmente uma forma de não cansar o leitor mirim ou menos habituado. Mas a história é fascinante e cheia de surpresas. Animais fantásticos (falantes), seres fantásticos (objetos falantes), uma princesa, e o seu narrador – Raimundo Pelado – um menino (criança) que se sente rejeitado pelos demais colegas por ser careca, e ter um dos olhos preto e o outro azul. De fato, algo bem inusitado. No caminho de volta da escola, ao se esconder de uns garotos, acaba se perdendo e indo por um caminho que mais parece um sítio distante. Mal sabia ele que aquele caminho o levaria uma terra mágica (Tatipirum) onde as pessoas e os seres que lá habitam teriam muita afinidade com ele, e enxergariam na sua excentricidade grande beleza.
         Um traço interessante da obra em questão é a construção de imagens narrativas de caráter pictórico, ou seja, que em suas passagens remetem a desenhos animados ou a pinturas surrealistas(retrata os sonhos). Um ótimo exercício de imaginação. Mesmo sendo eu adulto, acho que sou, eu particularmente aprecio desenhos animados e ler obras consideradas infantis. Mas devemos ter cuidado com obras que infantilizam as pessoas, ou seja, que não apresentam senso crítico, apenas reproduzem preconceitos e estereótipos da sociedade. O que não é o caso da obra A terra dos meninos Pelados.


         Esta obra, entre outras questões, trata das pessoas “especiais”, nos aponta que não há nada de mais em ser semelhante ao outro, igualmente não há nenhum problema em ser diferente. Em todos lugares que formos nos depararemos com ambas as situações. Isso fica claro, pelo fato de Raimundo descobri aquela terra maravilhosa, onde todos o respeitam, e têm traços físicos com o menino-narrador, e apesar do acolhimento, ele não quer deixar de voltar para casa, para a escola, e encarar o “choque” das diferenças. Será que aqueles meninos da escola ainda zombariam dele por ser diferente?

         Em Tatipurum, Raimundo fez muitas amizades. Ele vai embora, mas promete a todos voltar para visitá-los. Ele aprende a amar a singularidade de cada ser com qual estabeleceu amizade. E no fundo, isso é o mais importante. Esta obra pelo que percebemos é atualíssima, pois mais do que nunca vivemos o drama da exclusão social e do preconceito no nosso cotidiano: preconceito pela cor, sexualidade, origem social, pela linguagem, pelo grau de escolaridade, pela capacidade física. Enfim, é um combate o qual a educação tem um instrumento mais do útil, necessário – O livro – letramento literário e sensibilização através da arte. Eis o grande desafio.

RESENHA escrita por Carlos Henrique Ferreira Nunes.

domingo, 15 de setembro de 2019


UMA HISTÓRIA VITORIOSA(Aluna: Ana Clarisse Serafim Santos. 6° "b"; Escola José Pereira Sobrinho)



Meu nome é Eraldo Erasmo de Oliveira. Eu nasci em 1957, aqui mesmo no sítio Baixa do Capim, no município de Arapiraca, pertencente ao Estado de Alagoas. Por essa época prevalecia a cultura do algodão, do milho e do fumo. Aqui não havia cercas nas propriedades, mal existiam estradas ou calçadas; nem bicicletas se via por aqui. A maioria andava a pé e descalço.
Eu e muitas crianças daqui trabalhávamos para comer. Eu mesmo tinha vontade de ir à escola, mas não podia. Foi somente em 1972 que construíram uma escola, e mesmo velho eu comecei a estudar naquele ano. O terreno onde foi construída a escola fora doado por Miguel Januário, um grande companheiro e pioneiro aqui na nossa região. Ah, nas baixadas aqui do sítio havia uma área repleta de capim, por isso batizou-se a comunidade com este nome - Baixa do Capim. Criava-se gado ali, além do cultivo do fumo, como meios de sobrevivência para o povo.
Em 1975, minha primeira filha, Marileide, ia para a escola feliz, alegre e muito satisfeita. Mas quando teve que fazer o ensino médio ficou mais complicado: tinha que ir estudar na cidade. Eu tive que vender uma espingarda minha de estimação para lhe comprar passagens de ônibus para ir à escola. No entanto, vejo que valeu muito a pena. Ela foi a primeira a se formar. Tornou-se professora. Foi por esta época que havia chegado a energia elétrica. Antes disso se usava lampiões a gás ou querosene, ou mesmo velas. Para se tomar banho o costume era só fazê-lo de oito em oito dias. Banho de verdade com sabão feito de sebo. Enquanto isso nos banhávamos nos rios e açudes aqui da região durante o restante da semana.
Quando havia festa durante a Semana Santa, eu e meus amigos fazíamos bonecos de Judas com folhas de bananeira: isso era bom demais. Era a tradicional malhação do Judas. Sempre que íamos à festa, quando éramos adolescentes, tinha que ser acompanhado por um adulto, e muitas vezes meu pai não deixava sair, e eu e meus irmãos íamos para a rede chorar a noite inteira. A minha sorte e de toda a comunidade é que naquele tempo não havia tantos ladrões, mas se houvesse eles sairiam de bolsos vazios, porque a gente não tinha dinheiro, não tinha um tostão. Não nos preocupávamos como hoje com roupas ou bens materiais, tudo era mais simples e as pessoas mais humildes. Nas festas e bailes que íamos tínhamos sempre umas paqueras, mas quem namorava tinha que manter distância da namorada, pois era proibido ficar um encostado no outro. Um dia, enquanto curtia a festa, um primo meu chegou a mim e disse: "Oh, Pedrina está apaixonada por tu, viu". Eu respondi-lhe: "Eu, um pobre coitado?". Fiquei envergonhado, eu confesso. Mas graças ao meu primo-cupido hoje estou casado com ela.
Quando moleque a gente tinha medo de lobisomem e de um tal "vacinador". Quando diziam "lá vem o homem da vacina!", todo mundo corria, sobretudo as crianças. Esse medo era por causa das pessoas que ficavam inventando histórias fantasiosas sobre essas coisas. No caso do vacinador não era uma ficção, era um agente de saúde do governo. Mas quem era ignorante tinha medo de vacina. Às vezes, durante à noite, todos se sentavam em volta da fogueira. Certa vez, reunidos na frente de casa aparece no meio da noite uma luz estranha vindo em nossa direção, aí todos saíram correndo e entraram dentro de casa ou para dentro do mato, quando na verdade era somente um automóvel com seus olhos acesos, pois era raro aparecer algum ali, principalmente pela noite. No ano de 2000 fizeram aqui no sítio um restaurante chamado "Buchada do Vavá", que até hoje existe por preparar uma deliciosa Buchada de Bode. O mesmo se localiza em frente à escola e vizinho a igreja.
   Em 2004, como presidente da associação comunitária pude ajudar na construção de setenta casas de alvenaria, e assim, todos puderam ter sua própria casa. Tenho muito orgulho de contar para vocês minha história, relembrar as experiências pelas quais passamos e vivemos e que fazem parte de nós. São sempre lembranças as quais tenho prazer em contar para os mais novos, que muitas vezes ao ouvi-las, não têm ideia das lutas que travamos para que hoje muitos aqui da Baixa do Capim tenham o direito de estudar e trabalhar.

quarta-feira, 17 de julho de 2019


RESENHA DO LIVRO: JORGE COOPER – OBRA COMPLETA

JORGE COOPER E SUA SIMPLICIDADE DESCONCERTANTE[1]





 Jorge Cooper com seus versos curtos e poemas igualmente breves, com sua ironia fria e humor ora sério, ora sarcástico, pode ser considerado, sem a menor dúvida, um os maiores poetas de nosso modernismo tardio, e porque não dizer, pós-modernismo.
Se é possível compará-lo a outros poetas contemporâneos, sejam de nossa terra ou estrangeiros, é porque o discurso, como diria Mikhail Bakhtin, tem uma natureza dialógica. Mas por outro lado, é evidente a singularidade intrínseca a natureza estrutural ou seria des-estrutural que se impõe na poética coopernicana. Sua autenticidade advém de seu caráter, de seu jeito poético de ser. O poeta admite em entrevista concedida ao também poeta e jornalista Ricardo Oiticica, que jamais deixou de escrever, mesmo nos momentos difíceis.
Ledo Ivo considera Cooper um vanguardista, um poeta do cotidiano, do tempo presente, e portanto, dos dilemas de nossa vida. Aí percebe-se certo grau de realismo, talvez originado de sua simpatia pelo materialismo histórico de Karl Marx. O tempo representado em sua obra através da memória tátil das experiencias não é o tempo linear e bem calculado, mas antes é o tempo das emoções e sensações vividas e experimentadas pelos sujeitos em contextos reais.
Em Jorge Cooper, nos diz Ledo Ivo “partimos do sonho e da escuridão para a vida real e a claridade”. Sua poesia é um “tapa na cara” Com palavras breves e versos curtos e desconcertantes, com versos brancos e livres liberam a palavra de qualquer amarra, para que cumpram a função de dizer o que tem que ser dito:

Eu sou
nos meus poemas
Eles têm o número exato
de palavras e
o tamanho em que
a inspiração se coube
- Eles são como a clara e a gema
no ovo

(Precisamente assim
como eu caibo em mim)

Sua sonoridade e ritmo vem das assonâncias e consonâncias (repetição de sons vocálicos e consonantais) postas num mesmo verso, ou em versos intercalados, mas que garantem notável peculiaridade. Ele era de fato, como se pode perceber, um poeta liberto de regras. O seu padrão era não ter um padrão. Deixar que a palavra flua sem condicionamentos.
Que pena que este poeta alagoano não tenha tido o real valor reconhecido em vida, mas por outro lado, fiquemos felizes que a academia começa agora a resgatar o trabalho deste poeta por excelência, que fez de suas experiências a matéria viva capaz de fotografar e imortalizar imagens ao mesmo tempo tão cotidianas e atemporais. Vale apena apreciar e valorizar este nosso conterrâneo.

REFERÊNCIAS:
COOPER, Jorge. Poesia Completa. 2° ed. Imprensa Oficial Graciliano Ramos: Maceió, 2011.